26/01/15

dia 26 - raios partam a malta talentosa.

dia 25 - o dia de tudo.

dia 25 de janeiro é um dia tramado para as pessoas genuinamente boas.
os benfiquistas, digo.

todos os anos é igual.
o eusébio faz anos. tentam impingir-nos a ideia que já não faz mesmo anos porque entretanto faleceu. eu não acredito neles. eusébio foi só convocado para a selecção celestial. pelé anda a faltar aos treinos.

todos os anos é igual.
o féher olha para o árbitro, leva um amarelo, sorri com ar de que não passa nada. curva-se em si e falece. e eu tenho a certeza que foi o senhor todo poderoso a fazer uma convocação de última hora.

22/01/15

dia 22 - abecedário míope.

quem me conhece, conhece-me os olhos.
e se o daniel oliveira me conhecesse, havia de saber que os meus olhos dizem que têm um feitio muito míope. e o direito havia de dizer que isto do astigmatismo era muito bonito ao princípio, mas que agora já está cheio de o aturar.

hoje fui visitar o médico que avalia quão estrampalhados andam os meus olhos.
e é sempre uma sensação nostálgica.
é como voltar à primária e dizer o nome das letras.

não troco vês por bês, mas os ós parecem-me sempre dês.
e é ver um médico a rir-se da minha incapacidade visual.
a gozar com os deficientes. profissionalmente.

21/01/15

dia 21 - quarta-feira, o dia semi.

há um sentimento muito ambivalente nas quartas-feiras.
é o dilema do copo meio cheio, meio vazio da semana.
depende da relação entre optimismo e pessimismo.

eu sou realista.
gosto das quartas-feiras como elas são.
mas gosto mais dos fins-de-semana.

dia 20

perdemos mais tempo a pensar no que os outros pensam de nós do que a pensar por nós.
o medo que guardamos dos julgamentos alheios transforma-se numa auto-censura tola.
vivemos a vida que achamos ser a que os outros querem que vivamos.
enquanto os outros vivem a sua vida como querem.

ridículo.

19/01/15

dia 19 - engonhar.

gosto de tirar dias para engonhar.
fazem parte de mim os exercícios de flexibilidade da preguiça.
permitem-me estabelecer o padrão do tédio absoluto para poder depois comparar com as alturas azafamadas e dizer que precisamente nesta altura é que eu estava bem.

há qualquer coisa de bom em perder conscientemente tempo.
porque se quer mesmo perdê-lo.
no meio disso, acho sempre tanta coisa.

18/01/15

dia 18 - as coisas pequenas da vida.

estamos fartos de ouvir dizer que a felicidade reside nas coisas pequenas da vida.
nas grandes está uma felicidade oca.
e eu até preferia que ela se encontrasse nas coisas de grande dimensão.
é que eu tenho miopia da forte e custa-me muito mais encontrar as coisas de menor tamanho.

13/01/15

dia 13 - siga.

para a frente é que é caminho.
pega-se nos bocados e parte-se à procura de mais para partir.

dia 12 - falhei.

celebra-se neste espaço, em nome do dia em que falhei, todos os dias em que todos falhámos.
rudes golpes esses que, por desistência, esquecimento ou preguiça, nos fizeram perder a genica.
este aqui foi por excesso de trabalho e falta de tempo, o que sempre é melhor desculpa.
falhei. mas falhei da melhor maneira.

11/01/15

dia 11 - o sorriso que me davas afinal era de empréstimo.

havia dias em que o sorriso que me davas me fazia os dias.
ele.
só.

depois percebi que o sorriso que me davas não era bem meu.
era de empréstimo.
os juros eram uma merda.
tive de vender umas lágrimas minhas para os amortizar.

no meio do processo descobri um sorriso meu.
só meu.
e este nem sequer to empresto.

dia 10 e meio

não falhei.
cheguei só 38 minutos atrasada.

08/01/15

dia 8 - somos todos charlie.

sei os meandros das leis que protegem direitos de informação e de expressão.
contaram-me que são a base de uma sociedade democrática.
disseram-me que são invioláveis.

hoje acordamos para um mundo de luto com sabor a petit gâteau queimado.
traz o cheiro do dia em que a pólvora tentou silenciar.

as munições não podem mais que as canetas.
as armas não podem mais que os cérebros críticos.

somos nós, cada um, sem censuras.
mesmo na luta desleal de grafite contra disparos.
desleal para os disparos, entenda-se.

ontem, hoje, sempre. somos charlie.

07/01/15

dia 7 - ocorreu-me que...

se calhar devíamos saber mais uns dos outros.
que no meio do tempo em que corremos e nos apressamos e fazemos listas de coisas a cumprir e olhamos para o relógio para confirmar que chegamos a tempo de fazer as coisas que estão nas listas, pelas quais passámos o dia a correr e a apressar-nos, se calhar, vamo-nos perdendo uns aos outros.
querer colar os pedaços todos do mundo numa folha de tarefas não resulta.
fica sempre um pedacinho de fora.

05/01/15

dia 5 - para sempre.

tenho dificuldade em imaginar infinitos.
tempos que se prolongam indefinidamente sem limites.
nunca condicionados.
para sempres.

regra geral, questiono-os e não os deixo ir avante no seu modo naïve de ser.
porque não pode ser, não são reais, porque se mete a vida pelo meio.

mas a verdade é que, quando se mete a morte pelo meio, há memórias que duram infinitos.
mesmo memórias que não existem - porque não podiam existir! -, mas que a mente fabrica.

há precisamente um ano chorei as lágrimas de quem nunca viu jogar Eusébio.
porém, tenho em mim a certeza que partilhei cada golo marcado. que é também meu um bocadinho do seu entusiasmo quando encarava a bola no fundo das redes.

afinal há coisas que duram para sempre.

03/01/15

dia 3 - dói-me o branco.

os brancos das páginas em branco são de um pantone diferente porque ferem mais os olhos e imobilizam mais os membros.
fossem todas as folhas de cor, nunca haveria uma em branco.

02/01/15

um post por dia.

prometi-me.
sei que vou falhar miseravelmente.
sei que não vai fazer diferença absolutamente nenhuma.
sei que no fim o que fica é o que sobrou.

por isso, vamos lá.

01/01/15

o novo ano começou.

e eu tenho um problema com anos novos, da mesma maneira que uma pessoa velha desconfia de tudo o que é novo. é imaturo, propenso a brincadeiras parvas e celebrado com grande euforia para depois perder a piada toda em poucos dias.

quando gosto, gosto de gostar das coisas como se fossem durar para sempre e não só 365 dias. ou 366 quando aparece um bissexto.
quando finalmente aprendo a lidar com um ano, a perceber o que ele gosta, como o devo tratar, eis que se finda. recebo o novo ano com o desdém de quem vai trocar um artigo com defeito por outro que tem um ar ainda pior. 

mas que venha então o 2015.
se não conseguir acompanhar-lhe o ritmo jovem, hei-de contar-lhe histórias de anos passados e deixar-lhe lições de vida.