celebra-se neste espaço, em nome do dia em que falhei, todos os dias em que todos falhámos.
rudes golpes esses que, por desistência, esquecimento ou preguiça, nos fizeram perder a genica.
este aqui foi por excesso de trabalho e falta de tempo, o que sempre é melhor desculpa.
falhei. mas falhei da melhor maneira.
13/01/15
11/01/15
dia 11 - o sorriso que me davas afinal era de empréstimo.
havia dias em que o sorriso que me davas me fazia os dias.
ele.
só.
depois percebi que o sorriso que me davas não era bem meu.
era de empréstimo.
os juros eram uma merda.
tive de vender umas lágrimas minhas para os amortizar.
no meio do processo descobri um sorriso meu.
só meu.
e este nem sequer to empresto.
09/01/15
dia 9 - as coisas feias do mundo trazem ao de cima o pus da sociedade.
farta de pessoas com o olho do cú no lugar da boca.
08/01/15
dia 8 - somos todos charlie.
sei os meandros das leis que protegem direitos de informação e de expressão.
contaram-me que são a base de uma sociedade democrática.
disseram-me que são invioláveis.
hoje acordamos para um mundo de luto com sabor a petit gâteau queimado.
traz o cheiro do dia em que a pólvora tentou silenciar.
as munições não podem mais que as canetas.
as armas não podem mais que os cérebros críticos.
somos nós, cada um, sem censuras.
mesmo na luta desleal de grafite contra disparos.
desleal para os disparos, entenda-se.
ontem, hoje, sempre. somos charlie.
contaram-me que são a base de uma sociedade democrática.
disseram-me que são invioláveis.
hoje acordamos para um mundo de luto com sabor a petit gâteau queimado.
traz o cheiro do dia em que a pólvora tentou silenciar.
as munições não podem mais que as canetas.
as armas não podem mais que os cérebros críticos.
somos nós, cada um, sem censuras.
mesmo na luta desleal de grafite contra disparos.
desleal para os disparos, entenda-se.
ontem, hoje, sempre. somos charlie.
07/01/15
dia 7 - ocorreu-me que...
se calhar devíamos saber mais uns dos outros.
que no meio do tempo em que corremos e nos apressamos e fazemos listas de coisas a cumprir e olhamos para o relógio para confirmar que chegamos a tempo de fazer as coisas que estão nas listas, pelas quais passámos o dia a correr e a apressar-nos, se calhar, vamo-nos perdendo uns aos outros.
querer colar os pedaços todos do mundo numa folha de tarefas não resulta.
fica sempre um pedacinho de fora.
que no meio do tempo em que corremos e nos apressamos e fazemos listas de coisas a cumprir e olhamos para o relógio para confirmar que chegamos a tempo de fazer as coisas que estão nas listas, pelas quais passámos o dia a correr e a apressar-nos, se calhar, vamo-nos perdendo uns aos outros.
querer colar os pedaços todos do mundo numa folha de tarefas não resulta.
fica sempre um pedacinho de fora.
06/01/15
05/01/15
dia 5 - para sempre.
tenho dificuldade em imaginar infinitos.
tempos que se prolongam indefinidamente sem limites.
nunca condicionados.
para sempres.
regra geral, questiono-os e não os deixo ir avante no seu modo naïve de ser.
porque não pode ser, não são reais, porque se mete a vida pelo meio.
mas a verdade é que, quando se mete a morte pelo meio, há memórias que duram infinitos.
mesmo memórias que não existem - porque não podiam existir! -, mas que a mente fabrica.
há precisamente um ano chorei as lágrimas de quem nunca viu jogar Eusébio.
porém, tenho em mim a certeza que partilhei cada golo marcado. que é também meu um bocadinho do seu entusiasmo quando encarava a bola no fundo das redes.
afinal há coisas que duram para sempre.
tempos que se prolongam indefinidamente sem limites.
nunca condicionados.
para sempres.
regra geral, questiono-os e não os deixo ir avante no seu modo naïve de ser.
porque não pode ser, não são reais, porque se mete a vida pelo meio.
mas a verdade é que, quando se mete a morte pelo meio, há memórias que duram infinitos.
mesmo memórias que não existem - porque não podiam existir! -, mas que a mente fabrica.
há precisamente um ano chorei as lágrimas de quem nunca viu jogar Eusébio.
porém, tenho em mim a certeza que partilhei cada golo marcado. que é também meu um bocadinho do seu entusiasmo quando encarava a bola no fundo das redes.
afinal há coisas que duram para sempre.
04/01/15
03/01/15
dia 3 - dói-me o branco.
os brancos das páginas em branco são de um pantone diferente porque ferem mais os olhos e imobilizam mais os membros.
fossem todas as folhas de cor, nunca haveria uma em branco.
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