22/07/12

post-it no frigorífico de um casal com relacionamento saudável

Cabrão de cueca azul,

a história é muito simples.
A tua cunhada veio perguntar-me para quando achava que te ia dar jeito ir lá a casa dar uma arrumadela no bicho e eu disse-lhe que caralho de pergunta, porque tinha eu de saber isso tudo, sei lá quando te dão as ganas de ir lá - aliás, nunca sei quando te dão as ganas de nada, meu camelo, e tu sabes do que falo, nem te ponhas com essa cara de filho da mãe.

Pedes-me que esteja lá quando precisas porque te surge a vontade, mas e a minha, quando a tenho, onde fica? Sabes que por ti deixei o que deixei para trás - nunca te pedi satisfações, ou pedi? e nem peço porque não sou pessoa disso, meu paneleiro. Já contigo não é assim; juras que me amas mas sempre que podes fodes-me a cabeça porque deixaste aquela puta para ficares comigo. Se não gostas da merda dos cozinhados que faço, temos pena, mas é o que há, que eu, ao menos, sempre tenho desculpa para nunca ter aprendido direitinho, como tu gostas, não é como aquela parva que tem medo de sacar fora o verniz quando tempera a carne e espichar o rímel dos olhos quando desfaz cebolas. Mas se é com peças dessas que te queres aviar, é favor servir-se. Aliás, é disso que deves ter andado a fazer, a julgar pela fome com que chegas a casa e a falta de vontade, boizinho.

De qualquer modo, disse à tua cunhada que depois de amanhã, por ser véspera de feriado, te calhava em bem dares um salto lá. Agora esquece-te.

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