tivesse eu jeito e criatividade e isto em vez de um texto
era uma canção pseudo-deprimente
em que a personagem principal sofre de
alucinações constantes a preto-e-branco
e ainda tem um triciclo vermelho.
e havia de se chamar
'suicide to kill the bug'.
26/07/12
23/07/12
chuva miudinha #1 - O senhor Relvas
Nos últimos tempos, tenho ouvido o papá e a mamã falar de um senhor chamado Relvas. Ao princípio achava que estavam a falar do Jardim lá de casa, que ainda não percebi bem mas tem qualquer coisa a ver com Madeira.
Mas não. É mesmo um senhor chamado Relvas que vive no mundo da política.
Os meus pais e muitos outros adultos fazem piadas sobre este senhor e riem muito. Não entendo porque às vezes têm palavras complicadas no meio tipo 'equivalência', 'filhadaputice' ou 'pócaralho'.
Acho que o senhor Relvas deve andar muito magoado com estas piadas e os adultos não deviam gozar com ele. A minha mãe não me deixa chamar "orelhas de abano" ao Albano da minha classe, mas chama coisas piores ao senhor Relvas.
No outro dia, eu disse ao meu papá que queria mandar uma carta ao senhor Relvas para pedir desculpa pelos adultos que não se sabem portar bem. O meu papá riu-se e depois ficou sério e mandou-me ir dormir para não ficar com ideias.
22/07/12
post-it no frigorífico de um casal com relacionamento saudável
Cabrão de cueca azul,
a história é muito simples.
A tua cunhada veio perguntar-me para quando achava que te ia dar jeito ir lá a casa dar uma arrumadela no bicho e eu disse-lhe que caralho de pergunta, porque tinha eu de saber isso tudo, sei lá quando te dão as ganas de ir lá - aliás, nunca sei quando te dão as ganas de nada, meu camelo, e tu sabes do que falo, nem te ponhas com essa cara de filho da mãe.
Pedes-me que esteja lá quando precisas porque te surge a vontade, mas e a minha, quando a tenho, onde fica? Sabes que por ti deixei o que deixei para trás - nunca te pedi satisfações, ou pedi? e nem peço porque não sou pessoa disso, meu paneleiro. Já contigo não é assim; juras que me amas mas sempre que podes fodes-me a cabeça porque deixaste aquela puta para ficares comigo. Se não gostas da merda dos cozinhados que faço, temos pena, mas é o que há, que eu, ao menos, sempre tenho desculpa para nunca ter aprendido direitinho, como tu gostas, não é como aquela parva que tem medo de sacar fora o verniz quando tempera a carne e espichar o rímel dos olhos quando desfaz cebolas. Mas se é com peças dessas que te queres aviar, é favor servir-se. Aliás, é disso que deves ter andado a fazer, a julgar pela fome com que chegas a casa e a falta de vontade, boizinho.
De qualquer modo, disse à tua cunhada que depois de amanhã, por ser véspera de feriado, te calhava em bem dares um salto lá. Agora esquece-te.
20/07/12
chuviscos #1
De vez em quando é porque não se pertence. Nem a um mundo de petiz de lanches a meio da manhã, recreio, 'há-fogo-há-fogo-no-cú-do-diogo' e trabalhos de casa, sem esquecer o 'xixi-cama'. Nem ao mundo dos adultos, este das bestas do ritmo alucinante.
Porque não sou uma coisa nem outra, sou um intermédio meio termo fatela sem definição. E o pior é que a única coisa que sei é que não pertenço a nada disso. Melhor, o que tenho a certeza de saber é que só me pertenço a mim. Bonito!, logo a mim que não faço puto de ideia do que fazer comigo.
Para onde quer que vá serei inadequada. Ou avô cantigas no liceu ou o garoto que tira macacos do nariz e come no mundo empresarial.
E logo eu que acho que até posso vir a ter tanto potencial. Para coisas, sei lá. Coisas em geral, particularmente. Mas decidiram entregar-me a mim a responsabilidade de me fazer alguém, de me traçar um rumo. Não é suposto funcionar assim! Tem de haver um livro de instruções de mim perdido algures numa daquelas gavetas onde se guarda toda a tralha, escrito em 7 dialectos e made in taiwan. Um daqueles com os passos todos explicadinhos em listas numeradas e com desenhos ao lado.
Não pode ser assim só esta injustiça de vir ao mundo e ter de ser criativo o suficiente para sobreviver nesta selva.
19/07/12
olh'ó guarda-chuuuuuuuuuuuuuva 'esquinho!
comecei a pensar por onde começar. como se tudo tivesse de ter um começo.
melhor!, como se tudo o que é estupidamente irracional tivesse de ter um começo.
por isso, isto não tem.
permitam-me a entrada a pé juntos nesta poça de água.
sejam bem-vindos, calcem as galochas e venham chapinhar comigo.
melhor!, como se tudo o que é estupidamente irracional tivesse de ter um começo.
por isso, isto não tem.
permitam-me a entrada a pé juntos nesta poça de água.
sejam bem-vindos, calcem as galochas e venham chapinhar comigo.
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