02/01/15

um post por dia.

prometi-me.
sei que vou falhar miseravelmente.
sei que não vai fazer diferença absolutamente nenhuma.
sei que no fim o que fica é o que sobrou.

por isso, vamos lá.

01/01/15

o novo ano começou.

e eu tenho um problema com anos novos, da mesma maneira que uma pessoa velha desconfia de tudo o que é novo. é imaturo, propenso a brincadeiras parvas e celebrado com grande euforia para depois perder a piada toda em poucos dias.

quando gosto, gosto de gostar das coisas como se fossem durar para sempre e não só 365 dias. ou 366 quando aparece um bissexto.
quando finalmente aprendo a lidar com um ano, a perceber o que ele gosta, como o devo tratar, eis que se finda. recebo o novo ano com o desdém de quem vai trocar um artigo com defeito por outro que tem um ar ainda pior. 

mas que venha então o 2015.
se não conseguir acompanhar-lhe o ritmo jovem, hei-de contar-lhe histórias de anos passados e deixar-lhe lições de vida.

24/09/14

alergia a furos na parede ou isto-é-um-caso-mais-sério-do-que-aparenta

o meu quarto tem uma parede em branco, completamente em branco, porque não sei o que lhe hei-de fazer. quer dizer, sei! tenho de arranjar um quadro ou um espelho ou um poster ou um plasma gigante para colar à parede e devolver a esta divisão o merecido feng shui.

o problema é a parede.
ou melhor, o problema é meu com a parede.
não gosto de furos na parede.
compreendo todo o processo e necessidade deles porque - não me venham com tretas! - aquelas tiras autocolantes dos dois lados não suportam tanto peso quanto anunciado na tv. e nisto sou muito racional: antes com os chackras todos desalinhados do que com um desalinhamento da coluna cervical.

e a questão pode não parecer digna de desabafo, mas isto é um caso mais sério do que aparenta.

eu não gosto de furos na parede porque são definitivos. ou melhor, dão muito trabalho para deixarem de ser definitivos e isso para mim, no meu cúmulo da preguiça e total inaptidão para a bricolage, é ser definitivo. e o grave vem aqui: se eu sou assim com paredes, o que fará com a vida?

as coisas definitivas não me são muito queridas. sei que, precisamente por isso, sou um bicho de difícil domesticação. mas é um receio muito racional: da próxima vez que a mobília tiver de ser mudada, vai estar ali aquele furo, tão sem sentido, a marcar uma parede outrora imaculada.

05/09/14

às pessoas do passado que teimam em achar que o presente é o tempo delas outra vez.

muito sinceramente, não sei por que teimam em voltar. eu até já tinha virado a vossa página e suspeito que vocês a minha. então, para quê isto?

meus caros, não tenho a paciência para vinganças recauchutadas ou humilhações bafientas.
aliás, já houve tanto tempo por cima de vocês e de mim -  ó tanto em cima de mim! - que a mudança tomou parte do que eram e do que eu fui e agora restamos apenas o que vocês são e eu sou, que - veja-se! - é bem diferente do anterior estado.

estou em crer que nem eu vos quero aturar, nem vocês, se soubessem, me quereriam aturar a mim.
já sei injuriar melhor e estou mais calejada da vida. garanto que sou uma presa mais difícil, por isso reservai o esforço para algo mais útil.

mas - atenção! - isto não vos retira a importância que, de alguma forma, tiveram nas minhas páginas anteriores. não vos substituiria por nada, sacanas. quanto mais não seja porque me fazem apreciar o presente com outro gostinho.

vamos lá, compinchas, desgrudemo-nos.
isto não faz sentido nenhum.

03/09/14

a casa da minha tia

vocês não conhecem a minha tia, mas a minha tia tem uma casa que desafia todas as leis da física, da química e - estou em crer! - da gramática e semântica.
quem vê a casa da minha tia de fora não imagina o que aquilo é lá dentro.

passo a explicar.

na casa da minha tia há sempre lugar para mais um. fisicamente aquela casa não deveria comportar mais de 10 lugares sentados e outros 7 em pé, mas a verdade é que já lá coubemos para cima de trinta e à vontadinha, com os cotovelos à larga e tudo.
na casa da minha tia há sempre comida que chega e sobra. é tolice ser possível tachos e panelas terem fundo infinito, mas eu juro que é isso que se passa naquela casa.
na casa da minha tia o tempo corre de maneira diferente. naquele buraco negro dos imóveis, as noções de tempo alteram-se, os momentos aproveitam-se com aquele estalar de lábios como no fim de um gole de bom vinho, as conversas fluem como no fim de muitos goles de vinho.

e um dia eu quero ter uma casa destas.

29/06/14

auto-ultimato

não posso deixar isto falecer. não posso deixar isto falecer. não posso deixar isto falecer.
merda, não posso deixar isto falecer.

14/02/14

tesão de mijo.

não é por desgostar do dia, o considerar altamente supérfluo ou a sua futilidade me gerar urticária.
não é mesmo por isso.

mas, muito de vez em quando, sinto a necessidade da  moleza. de demonstrar que, vai daí, até sou humana e sou capaz de idiotices em nome de algo maior.

só que, invariavelmente, a coisa não me corre bem.
e eu até me aplico. se não soubesse que eras alérgico, enchia-te de chocolates daqueles com recheio todo praliné. se não soubesse que tens horror a plantas, decorava-te o chão todo com pétalas de rosa. se não soubesse que tens antecedentes pirómanos, abarrotava-te o quarto de velas.

se não soubesse que tens outra, eu hoje importava-me.

22/09/13

reminescências em diferido

Benfica – 0
São Paulo – 2

A TODA A COMUNIDADE BENFIQUISTA

Amigos,

Este é um dia de solidariedade encarnada masoquista.
Somos isto que sabemos ser: desiludimos nas apresentações, temos pré-épocas vergonhosas, mas caramba!, isto há-de ser como o ditado de ‘azar ao jogo, sorte ao amor’. E que, neste caso, o amor seja o campeonato.

Primeiro há que esclarecer dois importantíssimos pontos:

1-      Não tem qualquer tipo de coerência que a Eusébio Cup seja entregue a qualquer outra equipa que não o Benfica; fomos nós que a inventámos. Nem sei porque escolhemos equipas para nos defrontarem. Pessoalmente, um jogo entre a equipa principal e a equipa B servia bem; era garantido que a taça ficava em casa. E tendo em conta a quantidade de jogadores de que o Benfica dispõe, até podíamos fazer uma disputa por eliminatórias com várias equipas.

2-      Íamos disputar uma taça no Inferno da Luz com o clube de um apóstolo. É certo que temos Jesus no banco, mas Deus anda a fazer pirraça de pai. Estava-se mesmo a ver o resultado.

Mas não temei, companheiros na dor.
Benfiquista nasce com anticorpos à derrota. Pelo menos enquanto não são jogos a doer.
Aí nem que tenham de comer a relva toda e pôr o Jesus a marcar livres.

12/09/13

afinal vou ser criança para sempre.

agora que cheguei à idade adulta, descobri a verdade.

os adultos são só crianças em ponto grande.
e não vale a pena andarmos todos a fingir que não.
qualquer regra que se aplique a uma criança, aplica-se indubitavelmente a um adulto.

mas pior do que isso é que temos já maior discernimento e capacidade de pesar decisões e isso não faz qualquer diferença. continuamos a fazer asneiras das grandes. maiores ainda do que quando éramos crianças.

por isso, acho mal isto tudo.
fui convencida por todos os adultos que quando chegasse à idade deles ia perceber muito mais coisas e ser muito diferente de uma criança. afinal enganaram-me.

já não sou mais amiga deles.

11/09/13

habemus pipi.

quando a família é uma família à séria, a gravidez de uma é a gravidez de todos.
sofremos enjoos matinais, andamos de pernas abertas e doem-nos as costas.
sentimos os nossos intestinos revolverem-se a cada volta que dá e a nossa bexiga fica prestes a estoirar só com a saliva que engolimos.
já passamos à frente nas filas dos supermercados alegando prioridade por estado gestacional.

mas não nos levem a mal.

andamos todos grávidos.
e hoje descobrimos que era uma menina!