o meu quarto tem uma parede em branco, completamente em branco, porque não sei o que lhe hei-de fazer. quer dizer, sei! tenho de arranjar um quadro ou um espelho ou um poster ou um plasma gigante para colar à parede e devolver a esta divisão o merecido feng shui.
o problema é a parede.
ou melhor, o problema é meu com a parede.
não gosto de furos na parede.
compreendo todo o processo e necessidade deles porque - não me venham com tretas! - aquelas tiras autocolantes dos dois lados não suportam tanto peso quanto anunciado na tv. e nisto sou muito racional: antes com os chackras todos desalinhados do que com um desalinhamento da coluna cervical.
e a questão pode não parecer digna de desabafo, mas isto é um caso mais sério do que aparenta.
eu não gosto de furos na parede porque são definitivos. ou melhor, dão muito trabalho para deixarem de ser definitivos e isso para mim, no meu cúmulo da preguiça e total inaptidão para a bricolage, é ser definitivo. e o grave vem aqui: se eu sou assim com paredes, o que fará com a vida?
as coisas definitivas não me são muito queridas. sei que, precisamente por isso, sou um bicho de difícil domesticação. mas é um receio muito racional: da próxima vez que a mobília tiver de ser mudada, vai estar ali aquele furo, tão sem sentido, a marcar uma parede outrora imaculada.
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