o meu quarto tem uma parede em branco, completamente em branco, porque não sei o que lhe hei-de fazer. quer dizer, sei! tenho de arranjar um quadro ou um espelho ou um poster ou um plasma gigante para colar à parede e devolver a esta divisão o merecido feng shui.
o problema é a parede.
ou melhor, o problema é meu com a parede.
não gosto de furos na parede.
compreendo todo o processo e necessidade deles porque - não me venham com tretas! - aquelas tiras autocolantes dos dois lados não suportam tanto peso quanto anunciado na tv. e nisto sou muito racional: antes com os chackras todos desalinhados do que com um desalinhamento da coluna cervical.
e a questão pode não parecer digna de desabafo, mas isto é um caso mais sério do que aparenta.
eu não gosto de furos na parede porque são definitivos. ou melhor, dão muito trabalho para deixarem de ser definitivos e isso para mim, no meu cúmulo da preguiça e total inaptidão para a bricolage, é ser definitivo. e o grave vem aqui: se eu sou assim com paredes, o que fará com a vida?
as coisas definitivas não me são muito queridas. sei que, precisamente por isso, sou um bicho de difícil domesticação. mas é um receio muito racional: da próxima vez que a mobília tiver de ser mudada, vai estar ali aquele furo, tão sem sentido, a marcar uma parede outrora imaculada.
24/09/14
05/09/14
às pessoas do passado que teimam em achar que o presente é o tempo delas outra vez.
muito sinceramente, não sei por que teimam em voltar. eu até já tinha virado a vossa página e suspeito que vocês a minha. então, para quê isto?
meus caros, não tenho a paciência para vinganças recauchutadas ou humilhações bafientas.
aliás, já houve tanto tempo por cima de vocês e de mim - ó tanto em cima de mim! - que a mudança tomou parte do que eram e do que eu fui e agora restamos apenas o que vocês são e eu sou, que - veja-se! - é bem diferente do anterior estado.
estou em crer que nem eu vos quero aturar, nem vocês, se soubessem, me quereriam aturar a mim.
já sei injuriar melhor e estou mais calejada da vida. garanto que sou uma presa mais difícil, por isso reservai o esforço para algo mais útil.
mas - atenção! - isto não vos retira a importância que, de alguma forma, tiveram nas minhas páginas anteriores. não vos substituiria por nada, sacanas. quanto mais não seja porque me fazem apreciar o presente com outro gostinho.
vamos lá, compinchas, desgrudemo-nos.
isto não faz sentido nenhum.
meus caros, não tenho a paciência para vinganças recauchutadas ou humilhações bafientas.
aliás, já houve tanto tempo por cima de vocês e de mim - ó tanto em cima de mim! - que a mudança tomou parte do que eram e do que eu fui e agora restamos apenas o que vocês são e eu sou, que - veja-se! - é bem diferente do anterior estado.
estou em crer que nem eu vos quero aturar, nem vocês, se soubessem, me quereriam aturar a mim.
já sei injuriar melhor e estou mais calejada da vida. garanto que sou uma presa mais difícil, por isso reservai o esforço para algo mais útil.
mas - atenção! - isto não vos retira a importância que, de alguma forma, tiveram nas minhas páginas anteriores. não vos substituiria por nada, sacanas. quanto mais não seja porque me fazem apreciar o presente com outro gostinho.
vamos lá, compinchas, desgrudemo-nos.
isto não faz sentido nenhum.
03/09/14
a casa da minha tia
vocês não conhecem a minha tia, mas a minha tia tem uma casa que desafia todas as leis da física, da química e - estou em crer! - da gramática e semântica.
quem vê a casa da minha tia de fora não imagina o que aquilo é lá dentro.
passo a explicar.
na casa da minha tia há sempre lugar para mais um. fisicamente aquela casa não deveria comportar mais de 10 lugares sentados e outros 7 em pé, mas a verdade é que já lá coubemos para cima de trinta e à vontadinha, com os cotovelos à larga e tudo.
na casa da minha tia há sempre comida que chega e sobra. é tolice ser possível tachos e panelas terem fundo infinito, mas eu juro que é isso que se passa naquela casa.
na casa da minha tia o tempo corre de maneira diferente. naquele buraco negro dos imóveis, as noções de tempo alteram-se, os momentos aproveitam-se com aquele estalar de lábios como no fim de um gole de bom vinho, as conversas fluem como no fim de muitos goles de vinho.
e um dia eu quero ter uma casa destas.
quem vê a casa da minha tia de fora não imagina o que aquilo é lá dentro.
passo a explicar.
na casa da minha tia há sempre lugar para mais um. fisicamente aquela casa não deveria comportar mais de 10 lugares sentados e outros 7 em pé, mas a verdade é que já lá coubemos para cima de trinta e à vontadinha, com os cotovelos à larga e tudo.
na casa da minha tia há sempre comida que chega e sobra. é tolice ser possível tachos e panelas terem fundo infinito, mas eu juro que é isso que se passa naquela casa.
na casa da minha tia o tempo corre de maneira diferente. naquele buraco negro dos imóveis, as noções de tempo alteram-se, os momentos aproveitam-se com aquele estalar de lábios como no fim de um gole de bom vinho, as conversas fluem como no fim de muitos goles de vinho.
e um dia eu quero ter uma casa destas.
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