30/08/12

a promoção que toda a gente quer

começas a passo de bebé no teu primeiro emprego, a esforçares-te para não cambaleares muito à vista dos adultos (que vão lançando olhares de desvalorização para as tuas tentativas) nem para pareceres tão bebé quanto sabes ser.

perdes-te numa identidade que nem é bem tua. é um agrada-a-todos para não causar problemas a ninguém, mas sobretudo a ti próprio. a tua opinião evapora-se neste contexto, varia consoante o adulto com quem contactas. gugu dadá, somos todos amigos, não pisas ninguém.

entretanto, nos acasos da vida sai-te na rifa desempenhares uma tarefa ainda mais exigente do que aquela que inicialmente supunhas. a promoção que toda a gente quer. matam-se, esfolam-se para poder ficar com ela; dá acesso a palavrões engraçados como isenção de horários e outras compensações financeiras que fazem parte do calão adulto, que nem sequer entendes bem.

a promoção que toda a gente quer cai-te no colo.
mas tu não queres a promoção que toda a gente quer.

e depois o teu corpo divide-se entre cérebro e coração; um diz-te que estás a ser claramente um parvo, o outro que parvo é viver infeliz por algo que nem escolheste. e depois vais perguntar-te com a discordância de qual consegues viver melhor daí para a frente.

santa meteorologia

nunca ninguém diz meteorológico como se escreve. e isso é coisa que me dana.
me-te-o-ro-ló-gi-co.
é metreúlógico, metrológico ou metriulógico.

o facto de as previsões do tempo não saírem certas é porque estamos a dar motivos ao boletim meteorológico para nos odiar a todos e a incentivá-lo a enganar-nos.

agora a sério: meteorológico. meteoro. parece-me lógico.

26/08/12

pastilha elástica, meu chuchu.

devo às pastilhas elásticas o maior dos agradecimentos.
estiveram sempre por lá, nos bons e nos maus momentos, para me distrair a mandíbula e a língua. mas, mais do que isso, estiveram lá nos momentos ainda mais importantes: os do enrascanço.

obrigada pastilha por me teres ajudado a consertar um furo um colchão de ar; evitei ter de dormir no chão, desconfortável entre pó e bicho da madeira.
obrigada pastilha por me teres ajudado a consertar, no meu primeiro dia de trabalho, a minha sandália que teimou em descolar-se da sola. só posso imaginar o que seria a minha figura a chinelar desalmadamente por esses transportes públicos fora.

da próxima vez que tu, pastilha, te coles à sola do meu sapato, a pegar-me ao chão ranhoso de um metro, prometo não praguejar tanto aos céus. vou encará-lo como uma lição.

são as pastilhas que te mantêm os pés bem assentes na terra.
isso da gravidade e da humildade é tudo desculpas.

um sentido abraço mascado às chiclet, bubblicious, bubbaloo e gorilas que se atravessaram no meu caminho.

14/08/12

as músicas-sensação do verão

ele quer tchu. ele quer tchá. ele quer tchutchá.
eu propunha que ele redireccionasse a procura para a tchetchas da mãe dele.