14/02/14

tesão de mijo.

não é por desgostar do dia, o considerar altamente supérfluo ou a sua futilidade me gerar urticária.
não é mesmo por isso.

mas, muito de vez em quando, sinto a necessidade da  moleza. de demonstrar que, vai daí, até sou humana e sou capaz de idiotices em nome de algo maior.

só que, invariavelmente, a coisa não me corre bem.
e eu até me aplico. se não soubesse que eras alérgico, enchia-te de chocolates daqueles com recheio todo praliné. se não soubesse que tens horror a plantas, decorava-te o chão todo com pétalas de rosa. se não soubesse que tens antecedentes pirómanos, abarrotava-te o quarto de velas.

se não soubesse que tens outra, eu hoje importava-me.

22/09/13

reminescências em diferido

Benfica – 0
São Paulo – 2

A TODA A COMUNIDADE BENFIQUISTA

Amigos,

Este é um dia de solidariedade encarnada masoquista.
Somos isto que sabemos ser: desiludimos nas apresentações, temos pré-épocas vergonhosas, mas caramba!, isto há-de ser como o ditado de ‘azar ao jogo, sorte ao amor’. E que, neste caso, o amor seja o campeonato.

Primeiro há que esclarecer dois importantíssimos pontos:

1-      Não tem qualquer tipo de coerência que a Eusébio Cup seja entregue a qualquer outra equipa que não o Benfica; fomos nós que a inventámos. Nem sei porque escolhemos equipas para nos defrontarem. Pessoalmente, um jogo entre a equipa principal e a equipa B servia bem; era garantido que a taça ficava em casa. E tendo em conta a quantidade de jogadores de que o Benfica dispõe, até podíamos fazer uma disputa por eliminatórias com várias equipas.

2-      Íamos disputar uma taça no Inferno da Luz com o clube de um apóstolo. É certo que temos Jesus no banco, mas Deus anda a fazer pirraça de pai. Estava-se mesmo a ver o resultado.

Mas não temei, companheiros na dor.
Benfiquista nasce com anticorpos à derrota. Pelo menos enquanto não são jogos a doer.
Aí nem que tenham de comer a relva toda e pôr o Jesus a marcar livres.

12/09/13

afinal vou ser criança para sempre.

agora que cheguei à idade adulta, descobri a verdade.

os adultos são só crianças em ponto grande.
e não vale a pena andarmos todos a fingir que não.
qualquer regra que se aplique a uma criança, aplica-se indubitavelmente a um adulto.

mas pior do que isso é que temos já maior discernimento e capacidade de pesar decisões e isso não faz qualquer diferença. continuamos a fazer asneiras das grandes. maiores ainda do que quando éramos crianças.

por isso, acho mal isto tudo.
fui convencida por todos os adultos que quando chegasse à idade deles ia perceber muito mais coisas e ser muito diferente de uma criança. afinal enganaram-me.

já não sou mais amiga deles.

11/09/13

habemus pipi.

quando a família é uma família à séria, a gravidez de uma é a gravidez de todos.
sofremos enjoos matinais, andamos de pernas abertas e doem-nos as costas.
sentimos os nossos intestinos revolverem-se a cada volta que dá e a nossa bexiga fica prestes a estoirar só com a saliva que engolimos.
já passamos à frente nas filas dos supermercados alegando prioridade por estado gestacional.

mas não nos levem a mal.

andamos todos grávidos.
e hoje descobrimos que era uma menina!

28/07/13

boda molhada, boda abençoada.

de vez em quando passas ao lado das conclusões, contorna-las com dissertações, argumentos e confusões.
mas outras vezes há em que não tens como fugir: está mesmo à tua frente. pior: a realidade vem direita a ti pregar-te um valente bofetão.

acorda!

o que tu queres é tão somente aquilo.
que não és sentimentalona eu sei, mas digna-te por um bocadinho a interromper o teu orgulho e admitires que tens uma inveja boa do que vês. que era exactamente aquilo que gostavas para ti.

era isso, parares de ser um jumento autocrítico e o mundo era teu.
prometo.

18/07/13

o rabo da volta a frança.

alguém tinha de falar nisto. e é impossível ter sido a única a ver.

no meio de super-homens, pais natal e as poucas pessoas vestidas normalmente que a volta a frança sempre consegue juntar à borda da estrada, eis que surge no canto inferior esquerdo o gigantesco rabo ao léu francês.
o sujeito escolheu bem o plano e o timing, foi perfeito.

malta a saltar, bandeiras de uma milhena de países a esvoaçar, parolos a forçar uma corrida que acompanhasse o ritmo dos atletas, lá vem o super-homem, um garoto quase atropelado, eis o ciclista em esforço e - Bam! - rabo.

a volta a frança nunca teve tanta dignidade.
ainda assim faltam-lhe tomates, digo eu.
quem sabe, numa próxima...

19/05/13

bem-vindo, dia sacana.

porque chega aquele dia sacana em que basta.
cansaste.
já chega.

deixou de fazer sentido ser como era, não te traz mais nada de relevante nem te acrescenta mais do que queres ser.
e então, aos poucos, desmotiva-te, tira-te a força que outrora te empurrava para a frente.

mas chega aquele dia sacana em que basta, cansaste, já chega.

e aí, que se lixem os críticos moralistas alheios.
vais chegar à conclusão que a vidinha é tua, o tempo é teu e a felicidade a escapar-te.

não dá mais.
agarras na bagagem intelectual que ganhaste por aqui e vais embora à procura de outros locais onde possas repetir o ciclo todo outra vez.

porque é nessa repetição e prova de resistência que reside muito do que é a felicidade.

11/04/13

tiro ao colaborador

o patronato de vez em quando passa-se.
hoje percebi isso.
achava que a Drª A. era de ferro e afinal é de papel molhado. e pior, com péssima pontaria e noção de força.

fez da caneta arma de arremesso e não rolaram cabeças por sorte. ou por azar dela, não sei.

e era tão bom que estivesse a arranjar aqui uma metáfora qualquer com uma moral jeitosa, sobre o patronato e a opressão da classe operária e assim.

mas não.
foi mesmo isto.
literalmente.
caneta+força+arremesso que falhou alvo por pouco.

28/02/13

é muito isto.

ultimamente não tenho escrito nada por aqui. cheira a bafio.

mas não é por não ter nada interessante a dizer.

é só porque

21/01/13

os estrampalhados

se ele há coisa de que a fêmea gosta mais do que os saldos da zara é dos estrampalhados.
os estrampalhados são, em geral, os machos alfinha que têm tendência a ter a sua personalidade amorosa completamente corrompida por uma fêmea anterior e/ou por complexidade genética em demasia.

a piada dos estrampalhados prende-se com a diversão de querer arranjar o desarranjado, arrumar as peças certas do puzzle, resolver o cubo de rubik.

os estrampalhados não têm mais charme, nem mais elegância, nem mais beleza.
os estrampalhados têm mais desafio.
e é essa a diferença destes espécimes para os certinhos.

um dia hei-de embeiçar-me por um certinho.
e estrampalhá-lo todo só por causa das tosses.