25/11/12

bem-vindos ao mundo desempregado dos brinquedos, onde há leis, incertezas, ladrões.

no meu tempo, quem dava as boas vindas ao natal consumista era a leopoldina, uma ave amarela bem inestética que mostrava os brinquedos que toda a canalha queria desembrulhar à meia-noite. sabíamos que chegava o natal quando todos os intervalos repetiam, pelo menos à dezena, aquela cançoneta.

pois bem, à semelhança da minha geração, também a leopoldina deu entrada no mundo encantado do desemprego. ainda por cima, foi substituída por uma hipopótamo balofa só porque a mamífera sabe dançar.

o forte da leopoldina era, claramente, o carácter intelectual e de imaginação. mas hoje em dia o que vende são balofas e gente a dançar. mas leopoldina não sabia disto. porque senão tinha feito aquele workshop de danças do ventre e de salão. confiou antes na sua inteligência e na melodia viciante da sua canção.

pois é, leopoldina, o mundo dos brinquedos foi tão injusto para ti.
se te serve de consolo, cada vez que aquela gorda aparece na tv, eu mudo de canal.
e mais, quando vejo o que me descontam do salário para impostos, gosto de pensar que estou a contribuir para o teu subsídio de desemprego.

Brinquedos, brinquedos ... é o que o povo é para a chefia!


13/11/12

o nosso tempo de antena foi-se.


qual televisor com sistema tdt em zona de pouco alcance, assim estamos nós.
o nosso tempo de antena acabou.
não importa quantas marretadas demos no aparelho, quantas vezes o atiremos ao chão ou a força com que carreguemos nos botões do comando. já não vamos lá.
não somos aquela imagem nítida do que fomos, transparente, tão hd.
agora somos uma mistura de borrões descoloridos com o som dessincronizado da imagem.

talvez sempre tivéssemos sido isto.
talvez na altura parecesse que fôssemos diferentes, que o nosso contraste fosse maneirinho. mas afinal foi a mais. nem manipular a luminosidade ajuda.

falta-nos agora um piiiii e a imagem do fim de emissão.


08/11/12

de manhã está-se bem é na caminha. não é em reuniões.

ambiente de reunião empresarial.

- pois bem, trago-vos hoje a maior objecção que encontrarão. seleccionarei depois um de vós ao acaso para que lhe respondam.
cá vai: 'estimo bem que se foda.'
quer tentar responder-lhe, marta?

- claro, dra A.
compreendo que estime que me foda e, deixe-me agradecer-lhe de antemão, dado que me agrada saber que me tem em conta ao ponto de estimar que eu seja afectada por este tipo de actividades. contudo, gostaria de o alertar que esse tipo de linguagem não corresponde ao socialmente aceitável, pelo que aconselho vivamente, e no meu mais humilde parecer, que não repita este registo com outra pessoa que tenha um tipo de sensibilidade social mais deficiente.  nesse sentido, e dado que a abordagem de proximidade de que fez uso no contacto com a minha pessoa, teria todo o gosto em oferecer-lhe um 3º dedo da mão espetado. por favor, aceite. tenha então um bom dia.

silêncio cáustico de reunião empresarial.

05/11/12

o traquejo, esse bicho.

andam a tentar amestrar-me na arte de ser simpática.
não tem sido fácil. é preciso concentrar a atenção no tom de voz e o tom de voz no discurso e o discurso nas objecções.
depois é preciso ter uma coisa chamada traquejo.

o traquejo é um bicho difícil de apanhar; não anda em balneários húmidos como o pé-de-atleta nem pica quando estamos no mar, tipo peixe-aranha. para apanhar o traquejo é preciso ganhá-lo, mas é ainda mais difícil do que ganhar um peluche numa daquelas bancas da feira de mandar latas ao chão com 3 bolas.

quando fôr grande hei-de ter muito traquejo. vou depositá-lo todo num banco com juros bons e pô-lo a render. depois vendo-o muito caro a uns chineses ou angolanos e compro a simpatia que me falta.